Sentinela de Sal

(Vontade de ser barco ou de cantar.)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Río de cristal, dormido


Río de cristal, dormido
y encantado; dulce valle,
dulces riberas de álamos
blancos y de verdes sauces...

El valle tiene un ensueño
y un corazón; sueña y sabe
dar con su sueño un son triste
de flautas y cantares.

Río encantado; las ramas
soñolientas de los sauces
en los remansos dormidos
besan los claros cristales.

Y el cielo es plácido y dulce,
un cielo bajo y flotante
que con su bruma de plata
va acariciando los árboles.

Mi corazón ha soñado
con la ribera y el valle,
y ha llegado hasta la orilla
dormida para embarcarse;

pero al pasar por la senda,
lloró de amor, con un aire
viejo, que estaba cantando
no sé quien por otro valle.

_ Juan Ramon Jimenez_

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Mãos


Côncavas de ter
Longas de desejo
Frescas de abandono
Consumidas de espanto
Inquietas de tocar e
não prender.

Sophia M. B. Andresen

Eram tantos...

Vinham de longe,
traziam imagens em cercas.
Eram muitos,
-alados, esgotados, robotizados-
iluminando os azuis de sempre.
Sonhavam alinhando normas.
Acordavam na infância.

domingo, 26 de agosto de 2007

Chuva

Todo o dia a chuva ocultou
o teu rosto.
Fechava os olhos para te ver.
À minha frente um ceu de abril
trazido pelo teu riso
miúdo ou pelo trigo grao a grao.
Só de olhos fechados vejo
a cidade
onde te perco com eles abertos.
Assim adormeço - a chuva
acesa em lugar de teu rosto.

- Eugénio de Andrade -

sábado, 25 de agosto de 2007




Como se recusa o amor? , perguntavas,


o sorriso brincando ao sol com as romãs.



-Eugénio de Andrade-

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.

A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.

Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.

Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.

Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Tudo Perdi

Tudo perdi da infância
e já não posso mais
desmemoriar-me num grito.

A infância soterrei
no fundo das noites
e agora, espada invisível,
me separa de tudo.

De mim recordo que exultava amando-te,
e eis-me perdido
no infinito das noites.

Giuseppe Ungaretti

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Para que tu vivas...


Para poder morrer
Guardo insultos e agulhas
Entre as sedas do luto

Para poder morrer
Desarmo as armadilhas
Me estendo entre as paredes
Derruídas

Para poder morrer
Visto as cambraias
E apascento os olhos
Para novas vidas

Para poder morrer apetecida
Me cubro de promessas
De memória.

Porque assim é preciso
Para que tu vivas.

-Hilda Hilst-

domingo, 12 de agosto de 2007

Idílio

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;

Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces

O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

Antero de Quental

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

(...)

Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Misterios de Pasión



Primero
Tomar el cáliz, el cáliz de tus manos,
adentrarme hasta el fondo, hasta el vestigio último
del tormento, no para combatirlo,
no para decir qué desesperació
es la más soportable. Pues me abandono en ti,
pues de mí me extravio, y es mi alma
fluvial herida, vino, cayendo entre tus labios,
y en un beso se entrega hasta la muerte.
_Ana Rossetti_