Sentinela de Sal

(Vontade de ser barco ou de cantar.)

sábado, 28 de abril de 2007

Odes

Mestre(*), son plácidas
Todas las horas
Que nosotros perdemos,
Si en el perderlas
Cual en un jarrón,
Nosotros ponemos flores.

No hay tristezas
Ni alegrías
En nuestra vida.
Así sabríamos,
Sabios incautos,
No viviendo,

Pero recorriéndola,
Tranquilos, plácidos,
Leyendo los niños
Por nuestras maestras,
Y los ojos llenos
De Naturaleza...

A la orilla del río,
A la orilla del camino,
Mientras que calla,
Siempre en el mismo
Leve descanso
De estar viviendo.

El tiempo pasa,
No nos dice nada.
Envejecemos.
Sabríamos, casi,
Maliciosos,
Sentirnos ir.

No vale la pena
Hacer un gesto.
No se resiste
Al dios atroz
Que los propios hijos
Devora siempre.

Recojamos flores.
Mojemos leves
Nuestras manos
En los ríos calmos,
Para aprendernos
Calma también.

Girasoles siempre
Mirando al sol,
De la vida iremos
Tranquilos, teniendo
Ni el remordimiento
De haber vivido.

Odes De Ricardo Reis

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Encontro de almas

Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.

Sem exibir os dentes,
sorri comigo, como um botao de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
sem lingua, sem lábios.

Sem abrir a boca,
contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos
que só sao capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.

Como podes dizer à tua mao: “toca”,
se todas as maos sao uma?
Vem, conversemos assim.

Os pés e as maos conhecem o desejo da alma.
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.


- Jalal ud-Din Rumi-

domingo, 22 de abril de 2007

Poema 17

"Esquece o tempo. O tempo não existe.
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.

Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural.A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...

Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,

foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esparar..."

Tasso da Silveira

sábado, 21 de abril de 2007

Mi cinturón aprieta tu cintura

Mi cinturón aprieta tu cintura,
y tu sonrisa, mi corazón.

Sobrevolamos las islas indecibles
y a nuestro paso las nubes se disipan.

¿Cómo regresar al beso la armonía
sin que la respiración se entrecorte?
¿Cómo planear la noche compartida
después de tanta ausencia?

Sólo el aire es aliado nuestro
porque nuestro deseo es de aire puro.

Cuando descendamos a la tierra
las alas deberán seguir batiendo:
el aire de las alas
es nuestro sostén único
y las alas del aire nuestro lecho.

Desembocan los ríos en los mares azules
como en tu pecho desemboca el mar.

Abrázame en tus alas
para que otro aire no me roce
sino tu aliento, del que vivo y muero.

Bajo el cielo impalpable
hecho de luz y espera,
abrázame, amor mío, con tus alas.

Abrázame sobre la corrompida
ciudad sagrada de los hombres.

-Antonio Gala-

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Crepuscular

Pousas com as mãos no infinito do meu ser
e desenha, entre silêncios e melodias,
a inspiração d'um verso de luz, e que fale de amor
e de águas tíbias e cálidos astros...
na solidão do peito meu...

Matiza as horas suspensas, amalgamando o sorrir...
Atas a tua calma às cantigas do amanhã
aromas em ares de refrescância, movimento de sonhos
Traz-me as lembranças de um olhar
de uma aurora desprendida
tal qual chama ardente que a tudo faz celebrar...
E cai em silêncio, um orvalho, duas lágrimas em par...

Palas e Adra

Ao Ouvido

Fica um pouco mais , fala
da terra iluminada
abrindo à última chama
do verão : tu conheces
a sua sede , a sua respiração .
Um pouco mais , sê
como sopro da tarde , acaricia
com mão pequena embora
o que no fundo da noite
resta da manhã ; fala da leve
embarcação do vento , levando
consigo a poeira , o sarro
do tempo entornado no chão .
A terra é boa ; ao meu ouvido
volta a dizê-lo .

Eugénio de Andrade

terça-feira, 17 de abril de 2007

Misterios de Pasión



Tomar el cáliz, el cáliz de tus manos,
adentrarme hasta el fondo, hasta el vestigio último
del tormento, no para combatirlo,
no para decir qué desesperación
es la más soportable. Pues me abandono en ti
pues de mí me extravio, y es mi alma
fluvial herida, vino, cayendo entre tus labios,
y en un beso se entrega hasta la muerte.


-Ana Rossetti-

sábado, 14 de abril de 2007

Serena

Essa ternura grave
que me ensina a sofrer
em silêncio, na suavi-
dade do entardecer,
menos que pluma de ave
pesa sobre meu ser.

E só assim, na levi-
tação da hora alta e fria,
porque a noite me leve,
sorvo, pura, a alegria,
que outrora, por mais breve,
de emoção me feria.

-Henriqueta Lisboa-

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Embora...

"Embora o sol fosse alto ainda, áquela
hora já dali desertara, as sombras iam
saindo aos poucos de debaixo dos armários.
De vez em quando as mãos, completamente absortas,
detinham-se no ferro, sobre a tábua, ao lado
do gigo agora esvaziado e dos pesados
tabuleiros de verga, onde se erguia a roupa.
Tornavam-se mais nítidos, assim, os seus
contornos recortados contra a luz.
Dali podia-se avistar o mundo inteiro.
Ao longo dos telhados, por onde um ou outro gato
corria atrás das pombas, oscilava
ligeiramente a corda, onde a cidade, o céu
e os montes pareciam pendurados."

Luís Miguel Nava

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Alameda

El sol entre los follajes
y el viento por todas partes
llama vegetal te esculpen,
si verde bajo los oros
entre verdores dorada.
Construida de reflejos:
luz labrada por las sombras,
sombra deshecha en la luz.

Octavio Paz

É...

"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer."

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Pasado en claro

Mediodía:
llamas verdes los árboles del patio.
Crepitación de brasas últimas
entre la yerba: insectos obstinados.
Sobre los prados amarillos
claridades: los pasos de vidrio del otoño.
Una congregación fortuita de reflejos,
pájaro momentáneo,
entra por la enramada de estas letras.
El sol en mi escritura bebe sombra.
Entre muros-de piedra no:
por la memoria levantados-
transitoria arboleda:
luz reflexiva entre los troncos
y la respiración del viento.
El dios sin cuerpo, el dios sin nombre
que llamamos con nombres
vacíos –con los nombres del vacío-,
el dios del tiempo, el dios que es tiempo,
pasa entre los ramajes
que escribo. Dispersión de nubes
sobre un espejo neutro:
en la disipación de las imágenes
el alma es ya, vacante, espacio puro.
En quietud se resuelve el movimiento.
Insiste el sol (…)


Octavio Paz

terça-feira, 3 de abril de 2007

As Pontes

a Marly

Doce luz de azulejo em claro céu
entre marés, luares e telhados,
eras, minha São Luís, estranho pássaro,
com as asas amarradas pelas cordas
de movediça prata dos teus rios.

Veio o gume das pontes e as cortou.

E as asas livres se abrem pela terra
num espreguiçamento de alvorada.

Erguem-se voando baixo sobre os mangues.
São garças? São guarás? manchas no Sol.

Levam às praias a memente rara
de sobrados, mirantes e varandas.
O braço do homem luta contra o pântano
e arranca o chão dos bichos e da lama
para estender ao sol, sobre as areias
antes do passo humano mal trilhadas,
doce luz de azulejo em claro céu.

Odylo Costa, filho

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Ángelus

Ópalo gris sobre los campos.
Mantos de rosa tornasol.
Lejanas rosas infinitas.
Tenues tristezas exquisitas
Sobre montañas de arrebol.
Hondo reposo de inquietudes.
Dulce momento de soñar.
Claros colores, perla y plata.
Vaga y divina serenata
Libro celeste a meditar...

(...) F. García Lorca

Oferta

Hei de te dar sempre um pouco
Do que em mim é ser contente.
E a minha felicidade
Vai de mãos dadas contigo.

Não sou capaz de ter nada
Que não te dê de presente.
Meus sorrisos têm o gosto
Dos olhos do meu Amigo.

Renata Pallotini