Sentinela de Sal

(Vontade de ser barco ou de cantar.)

domingo, 28 de outubro de 2007

te Amo

No te amo como si fueras rosa de sal,
topacio o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.

Te amo como la planta que no florece y lleva dentro de sí,
escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.

Te amo sin saber como, ni cuando, ni de donde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,

sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.

Pablo Neruda

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

-Alexandre O'Neill-

domingo, 14 de outubro de 2007

Sete pedaços de Vento


Entrego ao vento os meus ais
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata

Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde
Na vontade de ser tua

Quero ser Eu sou assim
Sete pedaços de vento
Sete vozes no jardim
No jardim que eu própria invento

Sete ares de nostalgia
Sete perfumes diversos
Nos cristais da fantasia
Amante de amores dispersos

Sete gritos por gritar
Sete silêncios viver
Sete luas por brilhar
E um céu para me acontecer

Entrego ao vento os meus ais
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata

Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde
na vontade de ser tua

Que o desejo não me guarde
na vontade de ser tua
Que o desejo não me guarde
na vontade de ser tua

Interpretado por Cristina Branco

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Flor-de-ir-Embora

Flor de ir embora
é uma flor que se alimenta
do que a gente chora
Rompe a terra, decidida,
flor do meu desejo
de correr o mundo afora

Flor de sentimento
amadurecendo, aos poucos,
a minha partida
Quando a flor abrir inteira
muda a minha vida
Esperei o tempo certo

E lá vou eu, e lá vou eu
flor de ir embora, eu vou
E agora esse mundo é meu.

Fátima Guedes

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Otoño


Otoño de manos de oro.
Ceniza de oro tus manos dejaron caer al camino.
Ya vuelves a andar por los viejos paisajes desiertos.
Ceñido tu cuerpo por todos los vientos de todos los siglos.

Otoño, de manos de oro:
con el canto del mar retumbando en tu pecho infinito,
sin espigas ni espinas que puedan herir la mañana,
con el alba que moja su cielo en las flores del vino,
para dar alegría al que sabe que vive
de nuevo has venido.
Con el humo y el viento y el canto y la ola temblando,
en tu gran corazón encendido.

-Jose Hierro-