Sentinela de Sal

(Vontade de ser barco ou de cantar.)

terça-feira, 3 de abril de 2007

As Pontes

a Marly

Doce luz de azulejo em claro céu
entre marés, luares e telhados,
eras, minha São Luís, estranho pássaro,
com as asas amarradas pelas cordas
de movediça prata dos teus rios.

Veio o gume das pontes e as cortou.

E as asas livres se abrem pela terra
num espreguiçamento de alvorada.

Erguem-se voando baixo sobre os mangues.
São garças? São guarás? manchas no Sol.

Levam às praias a memente rara
de sobrados, mirantes e varandas.
O braço do homem luta contra o pântano
e arranca o chão dos bichos e da lama
para estender ao sol, sobre as areias
antes do passo humano mal trilhadas,
doce luz de azulejo em claro céu.

Odylo Costa, filho

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