Sentinela de Sal

(Vontade de ser barco ou de cantar.)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Surdina


Quem toca piano sob a chuva,
na tarde turva e despovoada?
De que antiga, límpida música
recebo a lembrança apagada?

Minha vida, numa poltrona
jaz, diante da janela aberta.
Vejo árvores, nuvens - é a longa
rota do tempo, descoberta.

Entre os meus olhos descansados
e os meus descansados ouvidos,
alguém colhe com dedos calmos
ramos de som, descoloridos.

A chuva interfere na música.
Tocam tão longe! O turvo dia
mistura piano, árvore, nuvens,
séculos de melancolia...

Cecília Meireles

2 Comentários:

Às 26 de junho de 2007 às 13:15 , Anonymous Anônimo disse...

É tanta a saudade...

 
Às 11 de julho de 2007 às 19:51 , Blogger Palas disse...

Psiu! abraço imenso! chuack! chuack!

 

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