Nao desista . . . . . . .

Me contradigo?
Tudo bem, entao . . . . me contradigo;
Sou vasto . . . . contenho multidoes.
Me concentro nos que estao perto . . . . espero na porta.
Quem terminou o batente e vai jantar mais cedo?
Quem quer passear comigo?
Você vai falar antes que eu vá embora? Ou virá quando é tarde demais?
O falcao pintado dá um rasante sobre mim e me acusa . . . . reclama de minha
conversa fiada, minha preguiça.
Também nao sou facilmente amestrável . . . . também nao sou facilmente traduzível,
Solto meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo.
A última nuvem do dia se demora por mim,
Lança minha semelhança após o resto, fiel como todas nos ermos sombrios,
Me incita pro vapor e pro crepúsculo.
Vou-me feito vento . . . . agito meus cabelos brancos contra o sol fugitivo,
Esparramo minha carne em redemoinhos e a deixo flutuar em retalhos rendados.
Me entrego à terra pra crescer da relva que amo,
Se me quiser de novo me procure sob a sola de suas botas.
Vai ser difícil você saber quem sou ou o que estou querendo dizer,
Mas mesmo assim vou dar saúde,
Vou filtrar e dar fibra a seu sangue.
Nao me cruzando na primeira nao desista,
Nao me vendo num lugar procure em outro,
Em algum lugar eu paro e espero você.
-Trecho extraído de Folhas de Relva, Walt Whitman-

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