Olhos Ternos

Olhos ternos azuis, humildes, inocentes,
Orvalhados de dor, da lágrima sentida...
Chorais, e com razão, os amores ausentes,
Que são a vossa luz na estrada desta vida.
Chorais como dois lagos calmos, transparentes,
Refletindo a amplidão de uma tela estendida...
Olhos ternos azuis, desmaiados, dormentes,
Vejo em vós o sofrer de uma monja sentida.
Chorai, olhos azuis, que a lágrima divina
Vale mais do que rir de boca pequenina
Que comece a falar, mil beijos implorando...
Prefiro a vossa luz inundada na mágoa...
Olhos ternos azuis, ao ver-vos cheios d'água,
Eu padeço também... mas vos amo, chorando.
Olegário Mariano

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